Dando voz (e vez) às mulheres
Tenho mais amigas do que amigos, creio. Amizades que eu soube construir ao longo de muitos anos, com respeito, diálogo, carinho e, sobretudo, compreensão. Hoje, resolvi dar voz a uma das minhas amigas, a Cheila, companheira de longos papos, amiga de anos. Ao final do texto dela, segue o seu e-mail para quem quiser trocar idéias com ela. Mas gente! podem trocar idéias aqui também, tá? Com vocês, Cheila!
Mulheres de 40: Entre a Idade e a Pós-modernidade
A maioria das mulheres da minha idade, isto é, que estão por volta dos 40, foi criada para casar, ter filhos e viver (felizes ou não) para sempre; na condição de boa mãe, esposa e se possível professora (profissão honrada para moças de família).
Com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), no mundo atual, o papel da mulher vem se transformando em uma velocidade que, muitas vezes, não acompanha as mulheres criadas com valores carregados de culpa. A maioria das jovens da minha geração não podia, sequer, sentar de perna meio aberta porque alguém dizia: “tenha modos de mocinha”!
Pois bem, a mulher atual é liberada e tem desejo sexual (“coisa para prostituta”), mas nem por isso perdeu o romantismo ou o comprometimento com seus respectivos parceiros. Nesse contexto, deixo minha dúvida: como lidar com uma educação cristalizada com valores de vergonha e culpa e ao mesmo tempo com sentimentos de que somos dignas dos mesmos prazeres que os homens, que podemos ser ousadas sem medo de sermos felizes, mesmo que só por uma noite?
Quando a maioria das mulheres de 40 dorme com um homem por uma noite, elas geralmente se sentem usadas (mesmo que tenha sido a melhor relação sexual de suas vidas); contrariamente, quando esse fato ocorre com um homem, ele não liga, pois foi criado para “pegar todas”, ser o Tigrão!
Enfim, espero que a geração das minhas filhas não seja tão reprimida e que aproveite a vida sem medo de ir para o inferno. Até porque, se existe inferno, é para gente má e não para mulheres felizes!!!! Cheila (cheilamazal@yahoo.com.br)
Escrito por L'Archiviste às 22h54
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Sobre o Amor e o Desejo
Hoje recebi um belo poema de Hermann Hesse, sobre o amor e o desejo, que transcrevo aqui, cujo título é “O Amor quer Somente Amar”: “Feliz é quem pode amar muito / Mas amar e desejar não é a mesma coisa / O amor é o desejo que atingiu a sabedoria / O amor não quer possuir / O amor quer somente amar”. Recebi-o de alguém que não conheço, mas que creio existir tal como a imagino, profundamente sensível. Coisas do mundo virtual que podemos transportar para o real. Parafraseando Carlitos em “O grande ditador”, “não sois bytes! homens é que sois!”.
O que o poema me levou a pensar foi em que amor e desejo muitas vezes se confundem, sim. Diria eu até que o amor é o máximo de carinho associado ao máximo de desejo. Certo que muitas vezes desejamos apenas, mas dizemos amar. Algumas outras vezes, amamos sem desejar.
Há, ainda, um outro aspecto ao qual esse poema me levou a pensar: como é difícil lidarmos com o amor! Estranhamente, se alguém diz que nos odeia, que nos quer matar, parecemos assimilar bem isso. Decerto, algo de ruim fizemos e a ira, o ódio é justificável. Mas como é complicado quando alguém diz que nos ama, não é? A primeira pergunta é “por que?”, seguida da inevitável “o que eu fiz pra essa pessoa me amar?”, que leva à conclusão “o que ele/ela está querendo com isso?”.
Estranho mundo esse que nos criamos: aceitamos naturalmente que alguém nos odeie e pedimos toneladas de explicações quando alguém nos ama... Eu, hein?
Escrito por L'Archiviste às 23h43
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O taxista - ou, seriedade demais atrapalha
Gente! Esse blog tava ficando muito sério. Santo Deus! Eu estava quase me levando a sério! Os posts anteriores, a seu modo, tinham endereço certo. Resolvi postar agora um episódio que ocorreu comigo em dezembro, na véspera de uma viagem a Vitória. Com vocês, minha saga num táxi pelas ruas do Rio
Noite de quarta, dia 15 de dezembro, meio atrasado pra ir pro Galeão, mas com a imensa perspectiva de ser feliz em Vitória por dois dias, resolvi perguntar pro taxista que abastecia no posto na esquina da minha rua se ele estava livre: "Hein? Hã? Ah!", foi a resposta. Achei só que ele era surdo, o que se confirmou à medida que ele ia dirigindo e (achava eu) falando sozinho. Só que, de vez em quando, ele virava pra mim e perguntava um "não é?". Quando eu concordava, ele dizia "Hein?". OK. Até aqui, depois do dia que eu tinha tido, ele tava até de bom tamanho. Pois bem: na reta do Aeroporto, aquele filho de sete putas simplesmente não viu (repito: NÃO VIU!!!!) e atropelou (repito: ATROPELOU) um cone de uma blitz da PM. Numa prova de que Deus existe e gosta de mim, o corno parou quando o PM apontou o fuzil. Pensei: "morri! e, claro, como habitante do Rio, muito mais 'patriótico' morrer de PM do que de Gol". Os PMs quase nos arrancaram pelo quebra-vento do carro. O PM berrava com ele: “tu é maluco?!?!?!”, e eu por trás concordava com a cabeça. “Tu quer morrer?!?!?!”, e eu confirmando. OK, consegui explicar pros gentis meganhas que eu era apenas um professor que iria encerrar um congresso em Vitória e assim eles só me fizeram esvaziar a mala toda e me revistar até a etiqueta da cueca. Pergunto: o que aquele kamikase do asfalto achou que aquela porra toda era? colaboração da PM pra enfeitar o Natal da Cidade, com cones, luzes coloridas e o cacete?!?!?! Ainda deu pra segurar o Boeing pelo rabo na pista, numa prova de que eu me lasco, mas não tanto assim. Portanto, você, incauto pelas ruas do Rio: evite o táxi do seu Antônio da Silva, o Mr. Magoo dos amarelinhos... Filho da puta!! Vai matar de susto a mãe dele! Corno!!
Escrito por L'Archiviste às 23h51
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Sobre a urgência da vida
A vida é pra valer / E não se engane não,tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado/ Com certidão passada em cartório do céu / E assinado em baixo:Deus / E com firma reconhecida!
(Vinicius de Moraes)
Nasci de oito meses. Acho que sou meio aflito. Será que sou mesmo? Só porque este blog está no ar há umas 3 horas e eu já o acessei umas 496 vezes para ver quantos leram e comentaram? Será que eu sou aflito? Será?? Não sei, mas é coisa de uns dez anos pra cá essa urgência minha de viver. Talvez as coisas tenham começado com a doença e a morte de meu pai; por ter visto tantos planos abreviados, interrompidos, desfeitos. Talvez tenha começado antes, quando, rodando por este mundo de meu Deus, vi tanto horror que entendi que a vida talvez precise ser urgente, pois a morte tem pressa.
Assim, decidi atirar-me no mundo de cabeça. Defeitos de pára-quedista, que só tem duas opções ao saltar: ou uma das melhores sensações do mundo, ao ver o chão se aproximar lenta e belamente, ou então, amigo, é cova. Daí a minha urgência de não tolerar ver papéis se acumulando sobre a minha mesa, de ficar com livros ainda não lidos, artigos ainda não finalizados, provas por corrigir, coisas por fazer. Costumo dizer, roubando a expressão da diplomacia, que gosto de andar com minhas “cartas em regra”, ou seja, sem pendências. Sem nada que eu quisesse fazer ainda por fazer.
OK, isso nos remete ao post anterior, no qual ficamos pensando sobre o que queremos e o mais que sempre queremos. Claro, sempre haverá, na hora em que o pára-quedas não abrir mais, coisas que vamos deixar na caixa das pendências, mas creio que o que importa é o que formos fazendo ao longo dos nossos “saltos” na vida. Aí, ao fim e ao fundo, poderemos ouvir Edith Piaf cantando “Non, rien de rien; non, je ne regrette rien”. Carpe Diem coisa nenhuma! Carpe momentum!
Aos que eu assusto ou machuco com minha urgência, peço sinceras desculpas. É que, como disse, nasci de oito meses. Se eu esperasse mais um, seria ariano, e aí seria muito pior. Beijos a todos e que na vida, nos nossos saltos, haja sempre muitos, bons e felizes encontros, pois nas palavras do poeta,
A vida comigo é a arte do encontro /Embora haja tanto desencontro pela vida.
Escrito por L'Archiviste às 17h02
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O que temos e o que queremos
“E é sempre melhor o impreciso que embala que o certo que basta, Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...”
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Há algum tempo, li um livro interessante: “Quando tudo não é o bastante”.. Tenho pensado recentemente sobre nossa eterna insatisfação com o que temos. Fica um pouco aquela coisa do tipo Fernão Capelo Gaivota: “Ah! Mas isso é que é o paraíso?!”. Só faltou acrescentar o “que merda!”. Pois é, mas acho que é essa insatisfação que nos move o legal da vida.
Poderíamos ter uma vida mais ou menos, contentarmo-nos com coisas mais ou menos, com amores mais ou menos e nos iludirmos, achando que teríamos chegado ao paraíso. Mas, que ninguém nos ouça: que merda de vida, hein? O mais ou menos, parece-me, é o primo-irmão do nada, do medíocre.
Assim, equilibramo-nos entre as poucas certezas e as muitas dúvidas, entre o preciso e o impreciso, entre o cristal e a fumaça. E talvez sejam o impreciso, a fumaça e as dúvidas que nos movam nessa jornada fantástica chamada “vida”. Beijo procês!
Escrito por L'Archiviste às 14h39
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Tô no ar! Socorro!
Pois é. Virei blogueiro. E agora? O que escrever? Quem vai ler? Quer dizer, será que alguém vai ler? E se lerem, será que vão gostar? E se gostarem, será que comentarão? Ai, ai, ai, ai, ai... Enfim, senhoras e senhores, bem-vindos a bordo do Arquivo! 
Escrito por L'Archiviste às 14h00
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