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O Blog do Arquivista
 


Os blogs dos amigos

Blog, hoje em dia, é quase como celular: praticamente todo mundo tem o seu. Em alguns casos, mais de um: blog ou celular. Assim, estou só indicando aqui alguns poucos blogs de amigos que eu recomendo que visitem. Aos amigos não citados, sem problemas: na hora do comentário me esculachando, aproveitem e façam o merchandising: a idéia é exatamente essa. Vamos a três deles:

 

http://minhocagem.blogspot.com - blog da Grazi, amiga querida e fotógrafa das melhores. É deliciosa a intimidade que ela cria com o leitor/navegante. A idéia das “minhoquinhas adestradas” é tudo!

 

http://perfumecultural.zip.net - o blog da Rose. Eu já tinha dito (acho que fui um dos primeiros visitantes dele) que é um blog BPS (bonito, poético e sensível), como, aliás, é a dona dele.

 

http://www.karushenka.blogger.com.br/  - blog da Karen, amiga muito querida a quem (coisas do cibermundo!) ainda não conheço pessoalmente, embora, algumas vezes pareça que a gente foi criado junto. O que chama a atenção é o texto perfeito, enxuto, com uma “pontuação de Rui Barbosa”. Mesmo encarando um texto perfeito, a gente não se intimida e, ao contrário, dá vontade de interagir na hora com a autora. De certo modo, a Karen é um pouco a madrinha deste blog que, no dia em que crescer, pretende ficar igual ao dela. Ah, sim! Quando postarem comentários lá, não se esqueçam de usar ponto-e-vírgula: ela gosta!

 

            Aos muitos amigos blogueiros, cujos blogs eu omiti aqui (juro! é muito mais esclerose do que qualquer outra coisa), apareçam, manifestem-se e façam o seu “marquetchíngui”.



Escrito por L'Archiviste às 01h43 [] [envie esta mensagem]





O ano dos meus três Pablos

            1973 foi um ano de perdas para mim. Não pessoais ou afetivas. Na verdade, quando os perdi, nem sabia que eles seriam perdas, nem sabia que os tinha perdido. Perdi-os sem sentir ou saber. Foi um ano em que três Pablos se foram: Pablo Picasso, Pablo Neruda e Pablo Casals. Eu nada conhecia da pintura de um, da poesia do outro ou da música deste. Anos depois, liguei as peças: La Guernica, Cien sonetos de amor e os solos de cello embalaram anos da minha vida (um dia, quando eu ficar bem rico e famoso, vou comprar um violoncelo!). Os três partiram no mesmo ano. Lembro-me de que, quando fui à Isla Negra, chorei ao lembrar que lá viveu Neruda, que lá compôs muitos de seus geniais poemas. Também La Guernica impressiona-me até hoje, como me impressionou na primeira vez em que eu a vi, retrato eloqüente do horror. E, nas horas de alegria ou de tristeza, o solo do cello.

            Dois, sequer eram Pablos: Neftalí Ricardo Reyes Basoalto homenageou o poeta tcheco Jan Neruda e tomou-lhe emprestado o sobrenome. Pau Carlos Salvador Defilló fez uma apócope de seus sobrenomes e virou Casals, traduzindo-se para “Pablo”. Em compensação, o outro era imensa e enormemente Pablo: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Crispín Crispiniano de la Santísima Trinidad Ruiz Blasco Picasso y López. Olé!

            Talvez tenha sido eu estar cada vez mais próximo de Neruda que me fez lembrar-me de meus três Pablos.

            Hoje, olhando um livro de poemas de Neruda e uma compilação que fiz de seus poemas, à qual nomeei “Nerudário”, fico contemplando “La Guernica” na parede do corredor em frente a mim. No micro, a voz do “capitán”, dizendo “Sólo quiero cinco cosas, cinco raíces preferidas...”. E ao fundo, claro, um solo de cello. Pablos, gracias!



Escrito por L'Archiviste às 20h14 [] [envie esta mensagem]