Eu sou um sebastianista!
Em homenagem à Jacqueline, sebastianista “stricto sensu”.
Não sei quanto a vocês, mas sou um sebastianista. Não, não exatamente como muitos portugueses que acham que o jovem rei, desaparecido no Marrocos em 1576, a qualquer momento voltará (meu tio, nascido em Portugal em 1911, seis meses após proclamada a República, me falava muito das mulheres totalmente vestidas de preto, nas praias, esperando pela volta de D. Sebastião que poria fim à República).
Sou um sebastianista que acha que chegará aquele e-mail que nunca se sabe se ou quando chegará ou aquele telefonema no celular (tá, serve “torpedo” também) que também não se sabe se ou quando chegará. Vivo à espera do que pode vir, mas que para mim é um há de vir.
Utopista? Quixotesco? Cavaleiro da Esperança (com as devidas licenças e a bênção de Jorge Amado)? Não. Apenas sebastianista. Não me importa que digam que El-Rei não voltará, não faço conta que se passaram 429 anos desde que ele desapareceu. Não me importa dizerem que o telefone não tocará, que o mail não chegará, que o “torpedo” não virá. Eu SEI que essas coisas acontecerão, por mais que tardem, por mais que eu espere/desespere. Tão certo estou disso quanto estava o taxista em Lisboa ao dizer a uma amiga muito querida, há dez anos, “que tudo aquilo só tomará jeito [falava do caótico trânsito lisboeta] quando D. Sebastião voltar; e ele há de voltar!”.
“A esperança é um dever do homem”, dizia Dom Hélder Câmara, e diria eu, mais ainda, é o moinho que move nossa vida. Sem esperança, a água da vida estagna, pára, apodrece.
Por isso, sei que o que espero, chegará. E ainda que não chegasse, esperaria mesmo assim.
Escrito por L'Archiviste às 15h42
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